Desvantagens da Utilização da Memória do Paciente para a Dedução do Estado Pré-Operatório em Estudos sobre Resultados da Artroplastia Total do Joelho

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Histórico: É fundamental ajustar o grau de dor e o estado funcional pré-operatório ao medir os resultados da artroplastia total do joelho. Alguns projetos de estudo confiam na memória pós-operatória do paciente para obter da mesma informações sobre o estado pré-operatório. Neste estudo, comparamos dados pré-operatórios coletados de forma prospectiva com dados sobre o estado pré-operatório obtido a partir da memória dos pacientes três meses após a artroplastia total do joelho.
Métodos: Os pacientes foram recrutados como parte de um estudo de observação prospectiva sobre os resultados da artroplastia primária total do joelho em casos de osteoartrite em quatro centros nos Estados Unidos, seis centros no Reino Unido e dois centros na Austrália. Assistentes de pesquisa independentes recrutaram os pacientes e coletaram dados utilizando um sistema uniforme de documentação pré-operatória e pós-operatória três meses após a cirurgia. Os dados pré-operatórios incluíram a descoberta da história clínica e exame físico, informações demográficas, status socioeconômico e pontuações de dois instrumentos de avaliação do estado de saúde: o WOMAC, Western Ontario and McMaster University Osteoarthritis Index (Índice de Osteoartrite de Western Ontario e McMaster University) e a Medical Outcomes Study Short Form-36 Health Survey (Pesquisa de Saúde com o Formulário Curto 36 de Estudo de Resultados Médicos). Os dados pós-operatórios incluíram as pontuações obtidas com o WOMAC e o SF-36, bem como a memória dos pacientes sobre o estado pré-operatório em itens selecionados a partir desses instrumentos de avaliação do estado de saúde.
Resultados: Foram recrutados no total 862 pacientes, sendo que os dados de memória foram avaliados em 770 pacientes (89%). A idade média foi de setenta anos (faixa de trinta e oito a noventa anos) e 59% dos pacientes eram mulheres. As comparações entre os dados prospectivos e os dados de memória sobre dor individual e itens funcionais demonstraram uma conformidade situada entre ruim e satisfatória (kappa ponderado de 0,20 a 0,41). Os pacientes afirmaram sentir um grau de dor significativamente superior ao que relataram antes da cirurgia (p < 0,001), mas houve erros aleatórios de memória nos itens funcionais. Observou-se apenas uma correlação moderada entre as pontuações resumidas prospectivas e de memória referentes à dor (Spearman r = 0,53) e funcionalidade (Spearman r = 0,48). Além disso, 61% das pontuações de memória sobre a dor e 50% das pontuações de memória sobre o grau de funcionalidade apresentaram diferenças de mais de 10 pontos (10% da faixa total) com relação às pontuações prospectivas.
Conclusões: A memória dos pacientes sobre a dor e o estado funcional pré-operatório avaliado três meses após a artroplastia total do joelho demonstrou uma conformidade apenas moderada com os relatos prospectivos. Os pesquisadores que utilizam dados de memória para dedução do estado pré-operatório devem reconhecer essas limitações quando fizerem conclusões sobre a eficácia da artroplastia total do joelho.
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