Violência, etnia e cor: um estudo dos diferenciais na região metropolitana de Salvador, Bahia, Brasil

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Abstract

RESUMO

O objetivo do presente estudo é analisar a distribuição das distintas modalidades de violência - estrutural, institucional, interpessoal e derivada da delinqüência - nos três grupos de cor mais representativos da sociedade baiana: brancos, mulatos e negros. O estudo compara os níveis de vitimação de indivíduos brancos, negros e mulatos com suas próprias avaliações da eficiência das instituições de controle do crime, procurando identificar como isso se relaciona com a adoção de atitudes e normas autoritárias pelos mesmos sujeitos. Os dados analisados são provenientes do Estudo Multicêntrico sobre Atitudes e Normas Culturais face à Violência (projeto ACTIVA) e compreendem uma amostra de 1384 pessoas residentes na região metropolitana de Salvador. A investigação foi desenhada como um estudo de corte transversal, com entrevistas realizadas nos domicílios, no período de setembro a dezembro de 1996. A seleção da amostra se processou em três etapas: primeiro foram selecionadas, de modo aleatório, as áreas residenciais, seguindo uma amostragem sistemática dos domicílios em cada área do sorteio; por fim, o sujeito a ser entrevistado foi escolhido, também por sorteio. Para a coleta de dados foi utilizado o questionário desenhado para o estudo ACTIVA e testado em estudo piloto. Os resultados indicam uma distribuição desigual da violência estrutural que recai, principalmente, sobre indivíduos de pele negra; o perfil por grupos de cor para a violência interpessoal e institucional revelou-se indistinto. A violência da delinqüência atinge os brancos e os negros na mesma intensidade. O descrédito na eficiência das polícias civil e militar, da justiça e do sistema carcerário é muito alto e é generalizado para os três grupos de cor. Além disso, poucas diferenças foram encontradas entre os grupos com relação a atitudes e normas autoritárias. Com base nos resultados, é possível concluir que existe risco para a manutenção da ordem pública se os altos níveis de descontentamento com as instituições de prevençã e repressão dos crimes persistirem juntamente com a predisposição dos indivíduos para apoiar a utilização da violência como solução para os conflitos.

The objective of this study was to analyze the distribution of various forms of violence-structural, institutional, interpersonal, and crime-related-in the three most common color groups of Bahian society: mulattos, whites, and blacks. The study compared the levels of victimization of mulatto, white, and black individuals with their assessments of the efficiency of crime-control institutions, in order to ascertain how that relates to those same citizens' acceptance of authoritarian attitudes and norms. The data analyzed came from the multicenter project on Attitudes and Cultural Standards about Violence (ACTIVA) project, from a sample of 1384 residents of the Salvador metropolitan region. The study was designed as a cross-sectional survey, with interviews done in the people's homes between September and December of 1996. The sample selection was done in three stages: first, residential areas were chosen at random; then, a systematic selection was made from the homes in each of the selected areas; finally, the persons to be interviewed were chosen at random. To collect the data the researchers used a pretested questionnaire that had been designed for the ACTIVA study. The results showed an unequal distribution of structural violence that mainly affected blacks. There were no differences by color group for interpersonal and institutional violence. Criminal violence impacted whites and blacks to the same degree. Distrust in the efficiency of the civil and military police and in the justice and penal systems was very high among all three color groups. Moreover, few differences were found among the groups with regard to authoritarian attitudes and norms. Based on the results, it is possible to conclude that public order is threatened if the dissatisfaction with institutions for crime prevention and reduction continues at a high level at the same time that individuals tend to support violence to resolve conflicts.

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